Publicada em 08/04/2016 às 10h02.
Chesf é autuada por poluição na Capital. Multa pode chegar a R$ 250 mil
Incêndio lançou ao menos uma tonelada de substâncias nocivas no ar.

Cinco horas de incêndio e pelo menos uma tonelada de substâncias nocivas lançadas no ar. Foi o saldo da queima de 150 mil litros de óleo mineral ocorrida na Central da Chesf em San Martin, Zona Oeste do Recife. Na última quinta-feira (7), dia seguinte ao fogo, técnicos da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Recife (SMAS) inspecionaram a área. A Companhia foi autuada e será multada em até R$ 250 mil por poluição atmosférica. Além de gás carbônico, monóxido de carbono e carbono negro, gases altamente tóxicos para o ser humano, a queima também liberou substâncias cancerígenas.


O óleo tem em sua fórmula química os chamados hidrocarbonetos aromáticos e os anéis de benzeno, segundo o Corpo de Bombeiros. Quando queimadas, essas substâncias se transformam em outras. Menores, mais perigosas. “São pelo menos 16 compostos cancerígenos. E uma vez no ar, estão sendo distribuídos. Os mais pesados se juntam em partículas maiores e os outros permanecem como vapor”, explicou o doutor em hidrocarbonetos aromáticos pela UFMG, Helvécio Menezes.


Em centros urbanos como o Recife, a situação piora porque as substâncias reagem com outros poluentes já existentes. Tornam-se mais danosos à saúde. O ozônio, por exemplo, é derivado do nitrogênio oxigenado do escapamento de carros. “Se chover, haverá uma contaminação do solo e da água. Caso não chova, o produto do incêndio permanece no ar e será inalado. De qualquer forma é um problema”.


Durante o incêndio foi difícil respirar para a maioria das pessoas que estavam próximas ao local. Uma comerciante que não quis se identificar precisou liberar um dos funcionários que passou mal. “É asmático, esse nosso cozinheiro”. Crises da doença são comumente associadas à alta exposição ao gás carbônico.


De acordo com estudo supervisionado pela doutora em engenharia química pela Unicamp, Ruth Santana, cada tonelada de óleo mineral queimado libera dez quilos de substâncias nocivas no ar. “É comum que haja aditivos nesses produtos de isolamento de transformadores. Mas eles são mais preocupantes que o óleo em si por conterem metais pesados como estrôncio, mercúrio ou cromo, perigosíssimos à saúde”, lembrou.


A Chesf não informou o tipo de óleo que foi queimado. Em nota, informou que a diretoria, junto à equipe técnica da Companhia, inspecionou ontem a área. Os danos materiais estão estimados em R$ 3 milhões. O resultado da perícia deve sair em 30 dias.


Já a SMAS exigiu à Chesf a apresentação de um Plano de Emergência e os equipamentos de prevenção para uso em caso de acidentes ambientais. Não foram encontrados indícios de contaminação do solo nem do lençol freático devido à existência de um sistema de calhas no local. Mesmo assim foi solicitada uma análise mais profunda na área.

 

FolhadePE

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