Publicada em 27/05/2026 às 13h09.
Após Trump, Flávio marca evento com Moro e Deltan para investir em discurso de combate à corrupção
Senador desembarca sexta-feira no Paraná para dividir palanque com símbolos da Lava Jato em meio à crise com Vorcaro.

Foto: Divulgação.   


  Após a agenda com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) retorna na noite desta quarta-feira ao Brasil disposto a acelerar uma ofensiva para tentar conter danos políticos provocados pela revelação de sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A primeira parada será Curitiba, nesta sexta-feira, onde o filho de Jair Bolsonaro dividirá palco com Sergio Moro (PL-PR) e Deltan Dallagnol (Novo), que pretendem se candidatar em outubro.


De acordo com integrantes da campanha de Flávio, a ideia é reforçar o discurso anticorrupção ao lado de dois dos símbolos da Lava-Jato, operação que mirou em uma série de desvios cometidos na Petrobras e que chegou a levar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à prisão. As condenações do petista foram posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).


A avaliação de aliados de Flávio é que a agenda em Curitiba possui peso simbólico porque ocorrerá justamente no principal reduto político da operação que impulsionou a ascensão da direita bolsonarista em 2018. Integrantes do PL afirmam que a campanha passou a avaliar que o senador precisa voltar a se conectar com pautas associadas ao combate à corrupção e à segurança pública após semanas em que o noticiário político foi dominado por mensagens, áudios e discussões sobre sua relação com Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”.


A avaliação dentro da campanha é que a viagem aos Estados Unidos ajudou a aliviar parte da pressão interna sobre a continuidade da candidatura presidencial do senador e abriu espaço para retomada das agendas presenciais e da montagem dos palanques estaduais.


Interlocutores ligados ao entorno de Flávio afirmam que a foto ao lado de Trump ajudou a devolver “sensação de viabilidade” à candidatura justamente num momento em que aliados da direita passaram a discutir reservadamente alternativas presidenciais dentro do campo bolsonarista.



Foto: Divulgação. 


 Agora, a estratégia é usar a retomada das viagens para reconstruir pontes com setores que passaram a demonstrar desconforto após o agravamento da crise, especialmente empresários, evangélicos e segmentos ligados ao discurso anticorrupção.


A presença de Flávio no evento do Paraná também é vista dentro do PL como importante para reforçar a aproximação com Sergio Moro e o grupo político ligado à Lava Jato num momento em que aliados do senador tentam reduzir o impacto da associação do caso Vorcaro à imagem da pré-campanha presidencial.


Moro minimizou qualquer desconforto com a presença de Flávio no evento e afirmou ao GLOBO que considera importante a participação do senador no ato político em Curitiba.


— A minha expectativa é a melhor possível. Ter Flávio é importante no evento do PL. Parte do projeto envolve derrotar o Lula na eleição presidencial para o bem do país — afirmou.


O evento em Curitiba reunirá ainda o deputado Filipe Barros e Deltan Dallagnol, em mais uma tentativa do bolsonarismo de demonstrar unidade política após semanas de turbulência envolvendo a pré-campanha presidencial de Flávio.


Nos bastidores, aliados do senador avaliam que a agenda no Paraná funcionará como uma espécie de teste para medir a capacidade da campanha de voltar a mobilizar militância e palanques regionais depois do desgaste provocado pelo caso Master.


Após Curitiba, Flávio seguirá a ofensiva com viagens previstas para Minas Gerais, no próximo dia 2, e Bahia, no dia 8, numa estratégia desenhada para tentar reconstruir alianças regionais consideradas prioritárias pela campanha.


Em Minas, a avaliação dentro do PL é que a presença de Romeu Zema (Novo) como presidenciável obrigou a campanha de Flávio a intensificar agendas no estado para evitar perda de espaço junto ao empresariado, ao agronegócio e ao eleitorado conservador mineiro. O senador ainda não tem palanque montado: o PL ainda estuda se vai lançar a candidatura própria de Flávio Roscoe ou apoiar o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). A ideia é bater o martelo até semana que vem.


Já a viagem à Bahia tem como estratégia reforçar a narrativa de que a crise envolvendo o Master também atinge o PT, numa tentativa de deslocar parte da pressão política hoje concentrada sobre o senador.



FONTE: FOLHA PE.






           




            

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