
Foto: Divulgação.
O
Conselho Penitenciário de Pernambuco (Copen/PE) realizou uma inspeção no
Presídio de Igarassu, no Grande Recife, e constatou superlotação e
irregularidades envolvendo presidiários.
A
vistoria aconteceu pouco mais de um ano depois da Operação La Catedral, que
desarticulou uma organização criminosa composta por detentos e policiais
penais. Na época, diretor da unidade, Charles Belarmino de Queiroz, acabou
sendo preso.
Na
vistoria realizada em 21 de maio e publicada no site do Ministério Público
federal (MPF) detectou que o Presídio de Igarassu é a “unidade como a mais
superlotada do estado”.
São
6.125 detentos para 1.226 vagas. A estrutura é dividida em 15 pavilhões e o
efetivo conta com 106 policiais penais, sendo 23 distribuídos na área
administrativa e o restante trabalhando em regime de plantão.
Além
disso, o relatório aponta que, “apesar do elevado contingente carcerário, o
presídio não dispõe de ambulância”.
A
equipe de saúde é composta por dois médicos clínicos, um psiquiatra, três
dentistas (com dois auxiliares), três psicólogos, seis enfermeiras, seis
técnicos de enfermagem e uma nutricionista.
Durante
a vistoria, os representantes do conselho constataram também a permanência da
figura de representantes dos presidiários (chaveiros) e identificaram 11
cantinas administradas pelos próprios detentos.
A
direção informou ao conselho que “há a previsão de reduzir a população
prisional para 4 mil pessoas com a transferência de alguns presos para o
Complexo Prisional de Araçoiaba, cuja finalização da obra foi anunciada para o
segundo semestre deste ano”.
O
objetivo da inspeção foi verificar as condições de infraestrutura, limpeza,
alimentação, integridade física dos internos, oportunidades de trabalho,
assistência à saúde, jurídica, educacional, psicossocial e religiosa da
unidade.
Os
conselheiros analisaram as celas, a área destinada ao banho de sol, as salas de
aula, a cozinha, a biblioteca, os consultórios médicos e odontológicos e a
farmácia, além do pátio em que ficam vários detentos por falta de espaço nas
celas, entre outros locais.
Os
conselheiros conversaram com alguns detentos e anotaram críticas, elogios e
sugestões. Dentre os problemas relatados estão o fato de haver poucos
defensores públicos para atender os presidiários e de que existem pessoas em
condições de progredir para o regime semiaberto, mas que ainda permanecem no
regime fechado.
O
relatório da visita será encaminhado aos órgãos competentes do governo de
Pernambuco e ao Poder Judiciário.
Entre
os pontos positivos observados pelos conselheiros estão o fato de a unidade
oferecer desde o ensino de nível básico até o nível superior, com diversos
cursos de graduação e de pós-graduação. Também são disponibilizados aos
presidiários cursos profissionalizantes.
O
presídio conta hoje com 7 salas de aula e planeja expandir o número para 11. De
acordo com a direção, há também o interesse em firmar parcerias para a
aquisição de novos livros para a biblioteca, além de criar grupos de
voluntários da sociedade civil para promover rodas de leitura e debates
literários com os reeducandos.
A
unidade possui um pavilhão exclusivo destinado à população LGBTQIA+. O espaço
foi criado para amparar, proteger e dar dignidade às pessoas transexuais,
travestis e demais membros da comunidade, evitando a violência nos pavilhões
comuns. Na área da segurança, a informação é a de que 100% dos visitantes
passam por revista antes de entrar na unidade, mas ainda não existem
bloqueadores de celular no local.
La
Catedral
Segundo
as investigações da Operação La Catedral, o grupo promovia a prática de
diversos crimes dentro da unidade prisional, incluindo corrupção e tráfico de
drogas.
A investigação teve início após a identificação de um detento que comandava diversas atividades ilícitas na unidade, contando com o apoio de servidores do sistema prisional. Durante as apurações, foram constatados atos de corrupção passiva praticados por policiais penais, além de acessos indevidos a sistemas internos para favorecer detentos.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.