Publicada em 08/04/2016 às 08h57.
Papa Francisco pede que gays e lésbicas sejam acolhidos
Documento 'A Alegria do Amor' representa mudança na doutrina católica. Pontífice pediu para igreja parar de 'atirar pedras'.

Papa Francisco pediu mais compreensão com relação às famílias não tradicionais no documento “A Alegria do Amor”, que foi divulgado nesta sexta-feira (8). Ele pediu aos sacerdotes de todo o mundo aceitar gays e lésbicas, divorciados católicos e outras pessoas que vivem em o que a igreja consideradas situações "irregulares".


O texto, que tem 256 páginas, traz as conclusões de dois sínodos sobre a família e representa uma mudança na doutrina da igreja. O documento reconhece as numerosas razões pelas quais os casais, segundo o contexto social e cultural, decidem conviver.


O pontífice diz que a igreja não deve continuar a fazer julgamentos e “atirar pedras” contra aqueles que não conseguem viver de acordo com ideais de casamento e vida familiar do Evangelho, destacou a Associated Press.


No entanto, o documento rejeita "os projetos de equiparação das uniões entre pessoas homossexuais com o matrimônio", segundo a France Presse e a Reuters.


O Papa Francisco já tinha dado várias declarações que indicavam uma maior abertura. Em agosto do ano passado, ele já tinha pedido para que os fiéis divorciados fossem acolhidos e não tratados como excomungados.


O líder católico pediu à igreja que "valorize" as "uniões de fato" e reconheça os "sinais de amor" entre estes casais e que sejam "acolhidos e acompanhados com paciência e delicadeza", afirmou a France Presse.


O pontífice tem insistido em defender que a consciência individual deve ser o princípio orientador para os católicos para negociar as complexidades do casamento, da vida família e do sexo.


O Papa Francisco estende a mão aos divorciados que voltam a se casar na exortação apostólica e convida a igreja a "fazê-los sentir que são parte da Igreja" e recorda que "não estão excomungados", segundo a France Presse.


"Estas situações exigem um atento discernimento e um acompanhamento com grande respeito, evitando qualquer linguagem e atitude que faça com que sintam-se discriminados, promovendo sua participação na vida da comunidade", escreveu o Papa.

O documento "Amoris Laetitia", como é chamado em latim, é fruto de dois ciclos de consultas e de dois tensos sínodos realizados em outubro de 2014 e outubro de 2015 sobre a crise vivida pela família moderna.


G1

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