A Federação dos Plantadores e Cana do Brasil (Feplana) e a União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) não gostaram das declarações da presidente Dilma Rousseff e lideranças da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) no Palácio do Planalto, na última sexta-feira. As duas entidades estudam um processo contra Dilma.
Os canavieiros argumentam que a presidente da República incita e avaliza o crime ao permitir que líderes de movimentos sociais usem o Planalto para fazer ameaças de invasão de terras, além de difamar o juiz Sérgio Moro, responsável pelo processo da Operação Lava-Jato.
Na última sexta-feira (1º), em cerimônia na sede do Poder Executivo, com a presença de Dilma, o secretário de Finanças e Administração da Contag, Aristides Santos, proferiu ameaças a parlamentares de invasão de propriedades incluindo imóveis particulares e seus gabinetes no Congresso Nacional.
“A forma de enfrentar a bancada da bala contra o golpe é ocupar as propriedades deles ainda lá nas bases, lá no campo. E é a Contag, é os movimentos sociais do campo que vão fazer isso. Ontem dizíamos na passeata: vamos ocupar os gabinetes, mas também as fazendas deles. Porque se eles são capazes de incomodar um ministro do Supremo Tribunal Federal, nós vamos incomodar também as casas, as fazendas e as propriedades deles”, disse Aristides.
“Diante da postura antidemocrática e criminosa da Contag ao incitar o crime de invasão, contrariando as leis vigentes, com aparente postura condescendente do governo federal, a Feplana e a Unida defendem que um processo legal de apuração do crime de responsabilidade seja atribuído à chefe do poder executivo, a presidente Dilma Rousseff”, informam as entidades, em nota oficial enviada ao Blog .
“Confiamos em nossas instituições, a exemplo do Poder Legislativo e do Judiciário, nas leis vigentes e na força das pessoas de bem, que trabalham honestamente, construindo o País, como vem fazendo o setor do agronegócio, garantindo, com bastante esforço, a balança comercial do país favorável, diante da maior crise econômica do Brasil”, afirma Alexandre Andrade Lima, presidente da Feplana e da Unida.
De acordo com as entidades, elas defendem Estado de Direito e o governo federal teria “irresponsavelmente abrigado pessoas no Palácio do Planalto, residência do chefe de Estado, para incitarem a violência e defenderem o fim dos pilares da sociedade.”
“Embora o agronegócio nacional seja o único setor produtivo capaz de manter ainda a balança comercial brasileira favorável, a presidente Dilma Rousseff deu espaço a organizações sociais rurais no Palácio do Planalto, a exemplo da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), para incitar a violência e o crime de invasão às propriedades rurais no país”.
As entidades do setor canavieiro repudiam em especial as declarações da Contag “visando atemorizar a sociedade que clama por justiça, mostrando desrespeito à lei e à ordem”.
“A Feplana e a Unida defendem o Estado Democrático de Direitos, e como tal, o governo deve zelar pela Constituição Federal, e não permitir a propagação de práticas que promovem o ataque à nossa Lei maior, ao direito de propriedade e à livre iniciativa, ações que demonstram total descaso pela democracia, ampliando o sentimento de impunidade e insegurança”, disse Alexandre Andrade Lima.
“Não se consegue conceber como isso pode acontecer dentro do Palácio do Planalto, sobretudo agora diante desse momento histórico onde a presidente mais fala da necessidade da manutenção da ordem democrática no Brasil”.
“Este foi um anúncio de um ato de terrorismo e selvageria, que atropela as leis vigentes e objetiva coagir a sociedade brasileira com ameaça criminosa. Portanto, não deve contar com o apoio do órgão institucional, com destaque à Presidência da República”, diz Lima.
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