O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurou, nesta quinta-feira (31), o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) em busca de apoio ao governo de Dilma Rousseff. Na conversa, Lula disse que não se deve "supervalorizar" a saída do PMDB da base governista.
Segundo Bezerra, Lula lembrou que, em seu primeiro mandato, chegou a obter mais de 40% dos votos de peemedebistas mesmo quando o PMDB não participava formalmente do governo.
O ex-presidente, articulador político informal do governo, disse também que ouviu de "amigos peemedebistas" reclamações quanto à maneira com que foi conduzido o anúncio de ruptura do PMDB com o governo. A decisão estava prevista para o dia 12 de abril, mas foi antecipada para a última terça-feira (29).
Ainda de acordo com o senador pernambucano, Lula elogiou a atuação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a quem chamou de amigo. Renan tem se manifestado publicamente contra o rompimento.
Na expectativa de assumir a Casa Civil na semana que vem, Lula disse a Fernando Bezerra que vai procurar oficialmente o PSB, partido que foi da base aliada de Dilma até 2013 -o próprio senador ocupou a pasta da Integração Nacional no primeiro mandato da presidente. Ele fez a promessa após ouvir a avaliação de que a bancada do partido deverá, em sua maioria, votar pelo impeachment de Dilma.
Lula disse, então, que sua disposição é buscar todas as forças da sociedade com vistas à recuperação da economia. Ainda segundo o senador, Lula afirmou que procurará até o PSDB, hoje o principal partido de oposição a Dilma. Mas só depois da votação do pedido de impeachment no Congresso.
A Fernando Bezerra, Lula disse está confiante das chances de derrota da tese do impeachment no plenário da Câmara e que procurará o PSDB depois dessa vitória no Congresso.
Depois do rompimento do PMDB, a equipe da presidente Dilma Rousseff tem passado a oferecer ministérios e cargos que estavam nas mãos de peemedebistas para partidos como PP, PR, PSD e PTN, na tentativa de conseguir votos favoráveis dessas legendas para barrar a abertura de um processo de impeachment na Câmara.
Na conversa com o senador do PSB, Lula também fez um mea culpa. Afirmou que nunca antes na história o país atravessou dois anos consecutivos com PIB negativo e que Dilma deveria ter atuado com maior vigor para a recuperação econômica. Ele também lamentou o afastamento do PT com o PSB, seu aliado histórico.
"Lula disse que sua tarefa é unir forças da sociedade para a retomada do crescimento e da confiança da população", contou Fernando Bezerra.