Publicada em 31/03/2016 às 13h17.
Novo técnico do Santa, Milton pretende trabalhar com elenco atual
Treinador quer honrar a equipe que conseguiu chegar à primeira divisão e quer explorar o potencial dos atletas que fazem parte do grupo tricolor.

Ao longo da apresentação como novo técnico do Santa Cruz, nesta quarta-feira, Milton Mendes deixou bem claras as suas principais marcas: elegância e bom humor. Durante conversa com a imprensa, ele demonstrou felicidade por estar no Tricolor  e, logo de cara, não pensa em contratar reforços para o time. Por hora, ele prefere trabalhar com o atual elenco, responsável por colocar o tricolor na série A do Brasileirão. Opção forçada pela impossibilidade de inscrever atletas na Copa do Nordeste e Campeonato Pernambucano.


- Temos jogadores que provaram que podem. O Marcelo (Martelotte) deixou um legado muito importante que é a primeira divisão. Minha ideia é explorar o potencial que eles têm, porque sei que eles podem alcançar mais resultados.


Apesar de querer trabalhar com o atual grupo sem buscar novas contratações, o novo comandante tricolor salientou que trabalhará pela excelência. Para atingir esse objetivo, ele explica que serão feitas algumas mudanças.


- Estamos com quatro competições para pensar. Mais que falar, temos que trabalhar. Precisamos fazer a ocupação do espaço das marcações, por exemplo. Costumo dizer que o jogador não é obrigado a jogar bem, mas sim a dedicar-se bem. O torcedor pode esperar um time com muita garra e determinação.


Com o Pernambucano e o Nordestão e Copa do Brasil em andamento, Milton reconhece que há pouco tempo para colocar em prática as ideias trazidas do futebol europeu. No entanto, ele garante estar fazendo o que pode para conhecer o estilo de trabalho do grupo.


Jogadores experientes serão avaliados pela produtividade 

Além de assistir ao desempenho do time no último confronto, contra o América-PE, o novo treinador coral tem visto vídeos de partidas anteriores do Santa Cruz para analisar o nível do elenco. Ciente de que há atletas mais experientes dentro do grupo, como Grafite e Leo Moura, Milton revelou que a produtividade é mais determinante do que a idade do atleta na hora de escolher os titulares.


- Quando falamos de atletas, não podemos olhar a idade. Sejam novos ou velhos, a produção é que vai fazer com que eles entrem em campo. Eu, como treinador, olho se o jogador está produzindo e como está produzindo. É claro que a vivência deles no futebol é muito importante, mas quem estiver melhor é que vai entrar. 


Satisfeito com o elenco, Milton planeja resultados rápidos e duradouros. Para ele, o objetivo é buscar as vitórias em quantidade e em qualidade. Otimista com os desafios que irá enfrentar, ele deseja transmitir o mesmo sentimento à torcida. O técnico entende que os tricolores desejam bons resultados, sobretudo na Série A do Brasileirão, mas pede que os tricolores controlem a ansiedade - citando, inclusive, um livro de autoajuda para reforçar o apelo.


- Estou lendo um livro de Augusto Cury chamado “Ansiedade”, que é a doença do século. Os nossos pensamentos são rápidos demais e fazem, muitas vezes, com que a gente perca o discernimento. Sei que o torcedor cria uma expectativa e que isso é bom, mas temos que entender que o Campeonato Brasileiro é uma competição difícil. Quero estar junto com o clube nas vitórias, mas peço que o torcedor diminua um pouco a ansiedade.


Consciente de que o orçamento do Santa Cruz não é o mesmo dos outros times que disputam o Brasileiro, o novo comandante Tricolor preza pelo comprometimento de todos os envolvidos com o clube: dirigentes, jogadores, torcedores. Para conseguir o que almeja, ele demonstra disposição para trabalhar na atual realidade do Santa Cruz.


- Orçamento não ganha jogo, e sim o comprometimento. Sabemos que temos que brigar com equipes cujo poderio financeiro é bem maior que o nosso, mas podemos almejar coisas bonitas.


A disposição do novo técnico é grande, mas não é maior do que a vontade de conservar o estilo alinhado do visual, mesmo no calor escaldante de Pernambuco. Sorridente, ele diz querer manter o terno e gravata sempre que possível.


- Tem gente que se sente bem de chinelo, de camisa. Eu me sinto bem assim, de terno e gravata. Vou procurar usar de acordo com a temperatura. 


Globo Esporte

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