Publicada em 28/03/2016 às 23h44.
Cunha diz que é 'ruim' PMDB deixar governo e ministro da sigla ficar
Diretório nacional do partido decide na terça sobre ruptura com governo. Ministro do Turismo foi o primeiro a apresentar sua carta de demissão.

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse nesta segunda-feira (28) quem, se confirmado o desembarque do PMDB do governo, ficará “ruim” para o ministro do partido que não deixar cargo.



Principal partido da base aliada, o diretório nacional do PMDB se reúne nesta terça-feira (29) para decidir sobre o fim da aliança com a presidente Dilma Rousseff e a entrega imediata do comando dos ministérios.



O ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, filiado ao PMDB, foi o primeiro a apresentar a sua carta de demissão ao Palácio do Planalto, nesta segunda-feira. Ele estava no cargo desde 16 de abril do ano passado. O partido continua ainda à frente de outras seis pastas.



"Acho que vai ficar ruim para os ministros. Vai parecer que eles estão apegados aos cargos e que os cargos é [sic] mais importante que o interesse partidário", afirmou Cunha.


Desafeto da presidente Dilma Cunha é um dos 119 integrantes do diretório nacional e terá direito a voto na reunião desta terça.


Apesar da saída antecipada de Alves, alguns ministros do PMDB são mais alinhados com o Planalto e trabalhavam para que a entrega dos cargos ficasse para abril.



Ele voltou a defender que o PMDB deixe a base aliada do governo e ressaltou que tem essa posição desde julho do ano passado. Cunha negou ainda que o fim da aliança neste momento tenha a ver com o processo de impeachment que tramita na Câmara contra a petista.



Reunião


O vice-presidente da República, Michel Temer, presidente nacional do PMDB, não comparecerá à reunião do diretório nacional, informou a assessoria da Vice-presidência.



O motivo oficial é que ele quer evitar influenciar na decisão, mas, nos bastidores, ele tem articulado com caciques da sigla. Mais cedo, ele se reuniu com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e acertou que a decisão sobre o rompimento será por aclamação, sem contagem dos votos dos integrantes do diretório.



Na noite de domingo (27), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou com Temer em São Paulo numa tentativa de convencê-lo a manter o PMDB no governo. Segundo assessores de Temer, o vice-presidente disse a Lula que o desembarque é "irreversível", e que o clima no partido é de "animosidade".

 

 

 

 

 

 

G1

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