As forças sírias retomaram o controle de Palmira e conseguiu expulsar neste domingo (27) os jihadistas do Estado Isâmico (EI), que haviam conquistado a histórica cidade há cerca de um ano, segundo a mídia estatal síria e a ONG Observatório Sírio para Direitos Humanos.
O Observatório Sírio para Direitos Humanos informou que ainda ouvia-se disparos na parte oriental da cidade na manhã deste domingo (horário local), mas as forças do EI abandonaram a cidade, deixando Palmira sob controle do governo.
"Após violentos combates noturnos, o exército controla totalmente a cidade de Palmira, inclusive a parte antiga e a parte residencial", disse uma fonte militar à agência de notícias France Presse.
As unidades de engenharia do exército estão desativando dezenas de bombas e minas no interior da cidade antiga, onde se encontram numerosos tesouros históricos, em parte destruídos pelo grupo ultra-radical, segundo esta fonte.
Segundo o Observatório Sírio, mais de 400 jihadistas e ao menos 180 membros das forças do regime sírio morreram durante os combates por Palmira, que se iniciaram em 7 de março. O Observatório Sírio é uma ONG que conta com uma rede de voluntários pelo país.
As forças terrestres contaram com o apoio de aviões e helicópteros sírios e russos e artilharia, que bombardearam posições do Estado Islâmico na cidade. O presidente russo, Vladimir Putin, é o maior aliado do ditador sírio, Bashar Al-Assad.
O exército sírio já havia recuperado no sábado (25) a cidadela de Palmira, uma fortaleza que tem vista para toda a cidade histórica, e havia relatos de combatentes do Estado Islâmico deixando a cidade desde sexta.
Derrotas relevantes
A retomada é uma significante derrota para o Estado Islâmico, que há 2 dias perdeu um importante líder, morto pelos Estados Unidos.
Os EUA mataram Abdel Rahmane al-Qaduli, considerado o número 2 do EI, durante um ataque aéreo na sexta (25). O Departamento de Justiça dos EUA oferecia US$ 7 milhões de recompensa por informações sobre Al-Qaduli, e ele figurava na lista de potenciais sucessores de Abu Bakr al-Baghdadi, o líder da organização.
"Estamos eliminando sistematicamente o círculo de líderes do EI. O exército americano matou vários terroristas importantes do EI esta semana, incluindo Haji Iman [apelido de Abdel Rahmane al-Qadul]", afirmou o secretário de Estado americano, Ashton Carter.
"Era um dos líderes do EI, agindo como ministro das Finanças e responsável por vários complôs internacionais", disse o secretário. "A eliminação deste líder do EI dificultará sua capacidade de realizar operações no Iraque e na Síria, e no exterior."
Palmira
Um oásis no meio do deserto, Palmira abriga ruínas de uma grande cidade, que foi um dos maiores centros culturais do mundo antigo. A cidade é considerada patrimônio mundial da humanidade pela Unesco, e a tomada da cidade pelo EI em maio de 2015 ganhou grande repercussão mundial.
Antes da guerra civil na Síria, iniciada em 2011, as ruínas de Palmira, o mais belo sítio arqueológico do país, recebiam 150 mil turistas por ano. A cidade fica na província de Homs, a 215 quilômetros de Damasco.
Destruição de templos
Em agosto, jihadistas do EI explodiram o templo de Bel, o mais importante do conjunto arqueológico da cidade, conhecido como "pérola do deserto". O porta-voz da ONU Stéphane Dujarric condenou "a destruição injustificada de um conjunto de valor inestimável para nosso patrimônio mundial comum".
Dias antes, EI havia destruído o templo de Baalshamin, o segundo mais importante de Palmira. O templo de Baalshamin - o deus do céu fenício - começou a ser construído no ano 17 e posteriormente foi ampliado pelo imperador romano Adriano em 130.
FONTE: G1