Publicada em 22/03/2016 às 11h32.
Casos de chikungunya irão para ambulatório no Hospital das Clínicas
Serviço exclusivo para pacientes da arbovirose deve começar, após aprovação do conselho de ética,

Um ambulatório exclusivo para o atendimento de pessoas acometidas por chikungunya no Hospital das Clínicas (HC). O serviço, que deve começar a partir da segunda quinzena de abril, aguarda apenas a aprovação do conselho de ética do hospital. A ala será a primeira do Estado voltada, exclusivamente, para pacientes da arbovirose e que têm apresentado sintomas e sinais exacerbados e prolongados da enfermidade. Depois do crescimento dos casos de zika em 2015, o Estado e a Capital pernambucana, agora, vivem um surto da chikungunya. Também há a perspectiva de que o Imip e o Hospital Agamenon Magalhães também tenham ambulatórios específicos.


A epidemia já atingiu 2,6 mil casos suspeitos desde janeiro em boletim divulgado conforme 18 de março no Recife. Em Pernambuco, são 10.880 notificações da doença. Já há confirmação oficial de três mortes pelo vírus, sendo duas no Recife e uma em Pesqueira, no Agreste. Desde janeiro, a Folha vem alertando para a gravidade de casos da arbovirose e a ocorrência de mortes. Em Pesqueira, por exemplo, mais 80% da população teve a doença e houve um aumento de 200% nos óbitos da cidade, muitos relacionados a sinais de chikungunya.


Uma coisa que preocupa os especialistas é o fato de muitos pacientes continuarem com queixas de dores articulares, algumas perduram por mais de três meses, período em que se considera a doença crônica. A aposentada Conceição Barbosa, 71, completará amanhã três meses da infecção. “As dores são tão fortes que você não consegue nem andar. Só sabe quem teve ou tem”, contou. Só agora é que as dores e o inchaço vêm diminuindo. A comerciante Wânia Lobo, 46, também coleciona lamentações devido à doença que já a acompanha faz dois meses. “Parece que tem um monte de pregos nos meus pés. Tem dia que os pés e as mãos incham, mas não dói. Em outros dias, que nem está inchado, mas dói muito. Essa doença é um imprevisto todo dia. A chikungunya maltrata”, reclamou. Wânia disse que desde o dia 8 de fevereiro precisa de analgésicos diariamente e que, de vez em quando, recorre a corticoides para ter um alívio.


“A palavra chikungunya significa ‘aquele que se dobra’, fazendo alusão ao estado incapacitante em que os pacientes se encontram. O acometimento articular é muito intenso no início do quadro na quase totalidade dos pacientes (70-100%). Acontece, em geral, de forma simétrica, bilateral, principalmente em pequenas articulações das mãos, punhos, ombros, joelhos e tornozelos. Dores na coluna também são frequentes”, explicou a médica reumatologista Aline Ranzolin.


Isso acontece porque o vírus é levado para dentro das articulações e causa reação inflamatória. A especialista é uma das coordenadoras do projeto que prevê o ambulatório de chikungunya. Segundo ela, um dos objetivos do serviço é estabelecer um protocolo de atendimento para esses pacientes do ponto de vista reumatológico. “Um percentual (10-20%) persiste com sintomas articulares por até três meses. Destes, até 50% podem persistir com sintomas por anos. Neste último caso, consideramos que a infecção por chikungunya foi o ‘gatilho’ que desencadeou um processo articular inflamatório crônico que poderá ser identificado como Artrite Reumatoide, Espondilite anquilosante ou outra doença reumática”, explicou. Ela destacou ainda que cerca de 10% dos pacientes acometidos por chikungunya terão risco de mortalidade aumentado, sendo os grupos de risco idosos e crianças, além de pessoas com doenças cardíacas, renais, pulmonares ou hepáticas.


FONTE: FOLHAPE
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