Publicada em 17/03/2016 às 08h46.
Twitter completa 10 anos sem medo das outras redes sociais
Isso quem garante é o diretor de estratégias de expansão do Twitter no Brasil, Phillip Klein.

Ao mesmo tempo em que é uma rede social, o Twitter não compete com Facebook, Instagram e outros serviços semelhantes. Isso quem garante é o diretor de estratégias de expansão do Twitter no Brasil, Phillip Klein. Entusiasmado com o crescimento da rede no país na última década, o executivo afirma que a empresa observa com atenção o mercado Brasil para criar soluções que agradem os internautas brasileiros.


Em entrevista, Klein fala sobre os acertos e erros da plataforma que completa 10 anos no dia 21/03, da inevitável migração para os smartphones, da concorrência com outros aplicativos e redes e também antecipa os focos da empresa para a próxima década. Confira a entrevista completa abaixo: 



Olhar Digital
: Em dez anos de Twitter no Brasil, quais foram os grandes acertos?


Phillip Klein: Caramba, 10 anos! É quase uma adolescência. É difícil avaliar os acertos. Nascemos de uma plataforma de SMS e hoje nosso foco mudou para os smartphones. Acredito que o maior acerto tenha sido manter nossa arquitetura aberta e em tempo real. O usuário do Twitter não precisa ter uma conta para interagir com a plataforma, basta acessar o site.


OD: E quais foram os erros?


Klein: Estamos sempre em constante mudança, sempre tentando nos adaptar ao sistema. Sobre um erro específico, acho que no passado não priorizamos a questão da usabilidade do usuário novo como deveríamos. O Jack (Dorsey, fundador da plataforma) costuma dizer que usar o Twitter é como andar de bicicleta. Na primeira vez é muito difícil, mas depois se torna uma experiência extremamente prazerosa. Queremos ajudar os novos usuários a embarcarem no Twitter. Queremos dar “rodinhas” para eles.


OD: Como você enxerga o crescimento do Twitter no Brasil?


Klein: Temos uma boa penetração aqui e a audiência brasileira é diferente de qualquer lugar do mundo. Aqui a maioria dos usuários são jovens, então nossas estratégias são pensadas para interagir com esse público que é um dos mais engajados do mundo. 


OD: É possível que o Twitter cresça no Brasil da mesma forma que cresceu nos Estados Unidos?


Klein: Vários indícios apontam o crescimento. É preciso lembrar que nos Estados Unidos a integração da plataforma com a televisão, por exemplo, é muito maior. Aqui ainda estamos começando a utilizar hashtags e exibir comentários em programas de televisão, como no Master Chef (reality show gastronômico da Rede Record). O acesso à internet e a posse de smartphones lá também é maior, mas nossa presença no Brasil tem obtido crescimento.


OD: Pela possibilidade de não precisar criar uma conta para usar o Twitter, você teme que a rede social possa perder usuários?


Klein: Eu acho que é justamente o contrário. Antes você era obrigado a criar um usuário de acesso ao site no computador para interagir. Essa não é a melhor forma de engajar usuários. O Twitter tem o elemento da portabilidade. O conteúdo pode ser compartilhado em outras redes sociais, sites e até em transmissões televisivas. Acreditamos que a vontade dos usuários de responder algum tweet ou compartilhá-lo irá crescer naturalmente e isso fará com que ele se torne um futuro heavy user.


OD: Por falar em heavy user, como você vê a questão de que o Twitter é visto como uma rede social secundária e dominada por esse tipo de usuários?


Klein: Eu o classifico como uma rede de interesse. Ele tem arquitetura própria. Mais do que competir, ele complementa o uso das redes sociais. Você não precisa abrir mão de uma rede social A ou B para usar o Twitter.


OD: Então você diria que o Twitter não se sente ameaçado pelo crescimento de outras redes sociais?


Klein: Hoje nossa maior preocupação não são as redes sociais, mas os aplicativos de smartphones. Quanto mais tempo o usuário gasta com jogos e vendo sites pelo celular, menos será gasto no Twitter.


OD: Então o foco está nos smartphones?


Klein: São os dispositivos nos quais temos mais força. Apesar de estarmos nos adaptados às novas mídias, o telefone celular está sempre com o usuário e sempre conectado. Isso é imprescindível quando falamos em instantaneidade.


OD: Quais são os planos do Twitter para a próxima década?


Klein: Difícil pensar. Será que os smartphones sobrevivem até lá? O que podemos garantir é que o Twitter continuará com seu DNA próprio. A arquitetura digital não irá mudar, mas abraçará novas funções. O live streaming, por exemplo, é algo que estamos implementando desde a compra do Periscope e nossos usuários serão mais incentivados a interagirem com essa nova ferramenta. 


OD: E na relação com o Brasil, como o Twitter pretende evoluir nos próximos anos?


Klein: Eu fico muito feliz em falar disso porque tenho percebido que as reuniões em San Francisco (sede da empresa) consideram cada vez mais o público brasileiro nas mudanças da plataforma. Cada recurso pensado, cada novidade implementada vem com um “temperinho brasileiro” para agradar nossos usuários daqui.

 

 

 

 

 

FONTE: OLHAR DIGITAL.

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