Publicada em 13/03/2016 às 10h19.
Animações da Disney omitem luta de classes, aponta estudo
Dos 100 filmes avaliados na pesquisa, em apenas quatro deles o personagem central pode ser considerado pobre.

A próxima animação da Disney, Zootopia, estreia na próxima quinta-feira (17), nos cinemas do Brasil. O filme tem sido elogiado por mostrar de forma sutil os efeitos nocivos que certos grupos dominantes podem causar em toda sociedade. A protagonista é uma policial coelha. Tudo isso tratado em uma produção voltada às crianças.


No entanto, se trata de uma exceção. É o que revela um estudo da Universidade Duke, na Carolina do Norte, intitulado Desigualdade Benigna: Quadros da Pobreza e da Desigualdade Social em Filmes Infantis. Dos 100 filmes avaliados na pesquisa, em apenas quatro deles o personagem central pode ser considerado pobre. A representação não reflete a situação da sociedade norte-americana, em que 25% das crianças vivem na pobreza.


A professora de Sociologia Jessi Streib liderou o estudo. “As crianças pequenas têm noções de classe muito interessantes. Pesquisas mostram que as que possuem até 12 anos internalizam várias ideias estadunidenses sobre classe, de como pobres são preguiçosos e as pessoas ricas são inteligentes e trabalhadoras”, pontua.


Jessi Streib, Assistant Professor of Sociology, teaches a class in the Social Sciences Building.

Professora Jessi Streib desenvolve estudo sobre filmes infantis. Foto: Divulgação/Universidade de Duke


Ainda segundo a socióloga, as animações são, na maioria das vezes, a principal maneira de as crianças saberem da disparidade entre as classes sociais. “Os pais não gostam de falar com seus filhos sobre classe, então os filmes são uma porta de entrada para as crianças adquirirem suas noções sobre o tema.


Grande parte dos longas avaliados são da Disney (incluindo produções da Pixar), mas alguns títulos de outros estúdios compõem a pesquisa, como Os Rugrats (Paramount) e O Expresso Polar (Warner Bros.).


Outras informações sobre o estudo podem ser obtidas no site da Universidade de Duke.

 

 

FONTE: NE10.

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