Publicada em 04/03/2016 às 15h06.
MP suspeita de repasses ilegais de R$ 30 milhões entre empresas de Lula
Empreiteiras doaram R$ 20 milhões ao Instituto Lula e também contrataram R$ 10 milhões em palestras do ex-presidente.

OAS, Odebrecht, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e UTC. São essas as empresas que mais doaram dinheiro para o Instituto Lula e, de acordo com as investigações da 24ª fase da Operação Lava Lato, foram também as responsáveis pela contratação de 47% das palestras da Lils Palestras, empresa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foram cerca de R$ 20 milhões em doações e outros R$ 10 milhões pagos em palestras.


"A questão principal fiscal foi o relacionamento da entrada de recursos na Lils Palestras e da saída de recursos do Instituto Lula. Existiria uma confusão operacional e financeira entre as duas entidades, ainda a serem confirmadas", disse o auditor fiscal da Receita Roberto Leonel Lima. 


O auditor explicou que são duas empresas com regimes diferentes. A Lils Palestras, registrada na residência de Lula, tem incidência de tributação sobre sua receita. Já o Instituto Lula é isento, tendo que usar todas as verbas recebidas por doações na própria operação. Esse é o ponto que está sendo apurado, já que existem indícios de repasses de dinheiro entre as duas empresas.


A informação foi passada na coletiva da manhã desta sexta-feira (4), na qual participaram Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público. Ao todo, são 33 mandados de busca e apreensão e 11 de condução coercitiva, alguns ainda a serem finalizados. "Em alguns locais estamos tendo problemas com manifestações, o que está dificultando um pouco o trabalho. Mas acredito que até a hora do almoço tudo esteja concluído", afirmou o delegado da PF Igor Romário de Paula.


Evidências de vantagens para Lula

Representando o MP, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima fez questão de frisar que as buscas nas residências de Lula e de seus familiares fazem parte de apenas "mais uma fase da operação Lava Jato", e que não há motivações políticas para as ações. "Há evidências de que o ex-presidente e sua família receberam vantagens para, eventualmente, a concepção de atos dentro do governo", disse. "Não há ninguem isento de ser investigado nesse País (...) Lula não tem foro privilegiado".

 

IG

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