Publicada em 28/02/2016 às 09h17.
Aedes aegypti derruba produção das indústrias do estado
Doenças provocadas pelo mosquito transmissor da dengue, febre chikungunya e zika atingiram 79% das empresas do setor.

Um mosquito transmissor de doenças está atrapalhando diretamente o setor produtivo no estado. Pesquisa realizada pela Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe) mostra que os afastamentos derivados de qualquer doença relacionada ao Aedes aegypti afetaram 79% das empresas do estado em diversas proporções e derrubaram a produtividade em 42,3% das empresas do setor industrial, de todos os portes. 

A Região Metropolitana do Recife (RMR) foi a área com o maior número de indústrias atingidas (92%), mas de pouco impacto no quadro de funcionários. Já o Agreste sofreu com o maior ônus na produtividade, com a queda em 62% da empresas da região. A situação gerou a necessidade de medidas extras. A federação ainda não consegue medir o impacto financeiro desse efeito e se juntou ao Sesi para lançar campanha de prevenção e enfrentamento ao avanço do mosquito.

O levantamento quantitativo teve a participação de 144 indústrias dos setores mais diversos, como alimentos e bebidas, têxtil e higiene pessoal e cosméticos. Foram 75 da Região Metropolitana e 69 do interior (Agreste, Sertão do São Francisco e Sertão do Araripe). A pesquisa questionava a quantidade do quadro de funcionários que precisou se afastar em janeiro e fevereiro de 2016 em consequência do mosquito transmissor da dengue, do zika vírus e da chikungunya. As respostas tinham os recortes: entre 1% e 5%; entre 5% e 10%, entre 10% e 20%, entre 20% e 40%; entre 40% e 50% e mais de 50%.

“Ainda que a Região Metropolitana do Recife tenha sido afetada em 92% das empresas, quase metade se posicionou na primeira faixa de afastamentos, entre 1% e 5% dos empregados, ou seja, quase todas atingidas, mas sem impactos expressivos no quadro de funcionários”, destacou o coordenador da pesquisa e gerente do Núcleo de Economia e Negócios Internacionais da Fiepe, Thobias Silva.

De acordo com o presidente da Fiepe, Jorge Côrte Real, a preocupação com o mosquito vai exigir uma atuação em diversas frentes. “Questionamos sobre as providências tomadas para resolver esses problemas e as principais medidas foram fazer as realocações de trabalhadores para outras funções de forma temporária e o aumento de hora extra, em uma média de 6,5%”, pontuou. “Vamos apresentar esses dados ao governo para buscar alternativas, porque não é simples. A gente sabe que os danos do mosquito vão exigir verbas que não foram colocadas em nenhuma previsão orçamentária e o resultado é ter que tirar de setores que receberiam investimentos. É uma força-tarefa que precisa trabalhar fortemente na prevenção”, afirma. Todos os trabalhadores da indústria em Pernambuco vão receber folhetos informativos, além de cartazes colocados em locais estratégicos nas empresas.


FONTE: DIARIO DE PERNAMBUCO

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