Pernambuco enfrentará um longo período de estiagem entre os meses de junho deste ano e janeiro de 2017. O Governo Federal decretou situação de emergência nessa época para a Região Metropolitana do Recife, Sertão, Agreste e Zona da Mata. A situação é de alerta, visto que a intensificação da seca é uma das principais causas do alastramento do fogo nas matas do País. O reconhecimento está presente em portaria publicada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) no Diário Oficial da União. A pasta federal contratará, temporariamente 2,5 mil brigadistas para auxiliar em situações emergenciais. O Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) do Ibama está avaliando as necessidades de cada região do País para definir a quantidade de brigadistas que será mobilizada.
A portaria deve sair apenas em março no DOU. De acordo com o Estado, o trabalho de combate já acontece e deve ser intensificado com o sinal de alerta. Somente no ano passado, o Ibama, em parceria com a Agência Estadual Meio Ambiente (CPRH), chegou a combater 40 focos de calor em Pernambuco. O diretor de Recursos Florestais e Biodiversidade da CPRH, Walber Santana, explicou que o trabalho do órgão para combater as queimadas é pautado nas denúncias realizadas. Segundo ele, órgão recebe mais chamadas entre os meses de setembro e novembro, período que é mais seco. É quando o número de ligações chega a dobrar, alcançando, aproximadamente, 150 ligações por mês.
“É justamente nesse período que aumenta a nossa demanda em campo. Temos uma equipe composta por biólogos, analistas ambientais e engenheiros florestais que também trabalha no controle das queimadas”, afirmou. A atuação da CPRH é, inclusive, de polícia administrativa. Identificado o infrator, as punições podem variar entre multa de R$ 1 mil por hectare atingido e até reclusão de dois a quatro anos.
Entretanto, para o diretor-presidente do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), Severino Ribeiro, não adianta apenas a CPRH se nortear por meio de denúncias para controlar incêndios em florestas. Na avaliação dele, o Estado deveria investir fortemente em tecnologias de monitoramento e que prevejam focos de incêndio. “Oras, a gente está inserido na região mais seca do Brasil. E a tendência para os próximos anos não são boas, já que estamos vulneráveis a mudanças climáticas. Logo, as previsões são de anos mais secos, o que deveria abrir os olhos para que o Poder Público aja o quanto antes para se antecipar de futuros danos”, observou.
OUTROS MOTIVOS - Ribeiro também reconheceu que não é só o período de estiagem que agrava os incêndios. Fatores socioeconômicos e culturais também contribuem para que grande parte das florestas seja tomada pelo fogo. “No Interior, onde predo mina a caatinga, por exemplo, é muito comum ver a queima dessa vegetação para transformar tudo em carvão, já que os moradores ainda têm o costume de cozinhar no fogo à lenha”, acrescentou o diretor. As queimadas podem ser denunciadas à CPRH pelo (81) 3182-8923.
FONTE: FOLHA PE