Publicada em 12/02/2016 às 11h24.
Se estivesse vivo, Dominguinhos completaria 75 anos nesta sexta
Para celebrar o músico, diversos artistas irão se apresentar na Sala de Reboco.

Nos 75 anos do nascimento do mestre Dominguinhos, data que se comemora nesta sexta-feira (11), seus amigos e colegas de trabalho se reúnem para celebrar o músico e dar continuidade ao seu legado. Ontem, na Sala de Reboco, começou a programação da “Semana Dominguinhos” com o show do também acordeonista Beto Hortis. Hoje, as homenagens continuam com o show de Liv Moraes, filha do instrumentista falecido em 2013; amanhã, é a vez do cearense Waldonys, apadrinhado pelo mestre desde os 12 anos. “Eu já tinha essa vontade de fazer um show todos os anos no aniversário dele, então achei ótimo esse projeto da Sala de Reboco”, conta Liv. 


Tímida, ela conta que só começou seguir os passos do pai aos 17 anos, apesar de ser muito próxima dele. “A primeira vez em que o acompanhei no palco foi no São João de Campina Grande. A partir daí, fiquei cinco anos viajando com ele e cheguei a dividir o show inteiro com ele”. Na homenagem de hoje, ela promete mostrar o que o pai gostava de ouvir na sua voz e canções inéditas ou pouco conhecidas pelo grande público, a exemplo das parcerias com Anastácia como “Fogueira no Quintal”. “Eu sinto uma obrigação de trazer essas músicas e mostrar novas facetas de sua obra - um resgate que também fiz no meu disco ‘É Você’, lançado em homenagem a ele”, explica. “Mas eu acho que Dominguinhos transcendeu essa barreira de gênero, da sanfona ser usada exclusivamente para uma coisa ou para outra. Ele ia do forró ao jazz e passou isso pra mim”.


Foi Dominguinhos quem deu o pontapé inicial na carreira de Waldonys, levando-o do Ceará para conhecer Luiz Gonzaga e gravar no seu álbum “Choro Chorado” - o ponto de onde passou se apresentar com outros grandes nomes da música brasileira e fazer turnê nos Estados Unidos. “Não nos perdemos de vista nunca. Eu aprendi e continuo aprendendo muito com ele, não só musicalmente, mas também na vida”, diz. Neste domingo, ele comanda o “Tributo a Dominguinhos”, no cineteatro São Luiz, em Fortaleza, ao lado de Adelson Viana. O projeto exibe o documentário “Dominguinhos”, lançado em 2012, seguido do show “Causos e Cantos”, onde os músicos recebem Fausto Nilo e Rodolfo Forte. “O show no Recife vai ser uma homenagem igualmente grande mas com uma estrutura mais simples. Nele, mostro grandes sucessos do mestre e algumas do meu repertório”, revela. “Ele deixou um legado enorme e que vai ser muito aproveitado ainda. A forma que se toca acordeon hoje eu atrelo a Dominguinhos. Ele urbanizou o forró, como dizia Seu Luiz - tocava o forró que Seu Luiz gostava mas coseguiu colocar, na hora certa, uma identidade bem dele, que vem do jazz”, completa o pupilo.


Mais Reverências

Além da casa de forró no Cordeiro, haverá mais reverências a Dominguinhos, com um dia inteiro de atividades gratuitas no restaurante Arriégua, na Várzea. O evento começa hoje às 7h com um ato religioso ministrado pelo padre Moura e segue com mostra de documentários e apresentação de 50 sanfoneiros, além de poetas e cantadores, dentre os quais estão Beto Hortis e Terezinha do Acordeon, até às 18h. Na sequência, o grupo Chorinho do Nosso Quintal se une ao mestre Chocho - candidato a patrimônio vivo do Estado pelo seu desempenho na história do choro pernambucano - para homenagear o compositor garanhuense.

 

FolhadePE

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