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O presidente da Câmara dos
Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), se reúne nesta terça-feira (16) com
líderes partidários para tratar do polêmico projeto de anistia aos envolvidos
nos atos de 8 de janeiro de 2023. A proposta, apresentada pelo líder do PL,
Sóstenes Cavalcante (RJ), prevê perdão a presos e condenados, incluindo,
potencialmente, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A pauta chega ao plenário
em meio a forte pressão de diferentes setores: o governo federal se posiciona
contrário a qualquer anistia ampla, enquanto a oposição tenta aprovar o texto
com urgência.
O Supremo Tribunal Federal
(STF) também acompanha de perto a negociação, sinalizando que apenas uma versão
“light” da anistia, com redução de penas para participantes secundários, poderia
ser considerada. Gilmar Mendes, decano da Corte, se pronunciou nesta
segunda-feira (16), chamando o projeto de “inconstitucional” indicando sua
derrubada no Supremo caso seja aprovado no Congresso. “Eu estou convicto de que
ela é ilegítima e é inconstitucional”, disse Gilmar.
Segundo o ministro, o
Supremo tem “um diálogo muito profícuo, respeitoso e efetivo” com Hugo Motta e
Davi Alcolumbre, o presidente do Senado. Nos últimos dias, Motta articulou com
ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, e conversou com o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante um almoço nesta segunda. O petista
reforçou a posição do governo contra o perdão geral. A avaliação é que, sem
consenso, a votação da urgência pode ser adiada.
Deputados da oposição calculam
ter mais de 300 votos favoráveis a uma anistia restrita, que contemplaria
apenas os réus do núcleo secundário do 8 de Janeiro. A inclusão de Bolsonaro no
texto, no entanto, complicaria a aprovação, podendo reduzir a adesão necessária
de 257 deputados para aprovar a urgência. Há ameaça de nova obstrução na Câmara
caso a pauta não avance.
O Centrão negocia um
meio-termo: permitir redução de penas para condenados menos influentes,
enquanto mantém a sanção máxima para os líderes do movimento. Em contrapartida,
a PEC da Blindagem, que estabelece limites à atuação do STF sobre
parlamentares, poderia avançar na Câmara sem resistência significativa.
Enquanto isso, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), principal articulador da anistia junto ao bolsonarismo, cancelou viagem a Brasília prevista para esta segunda-feira, pedindo para visitar Bolsonaro hoje. A decisão surpreendeu parlamentares da oposição, que buscavam acelerar a votação imediatamente após a condenação do ex-presidente no STF. Moraes autorizou a visita de Tarcísio ao padrinho político, mas apenas no dia 29.
FONTE: AGÊNCIA BRASIL.