
Foto: Divulgação.
O ministro Luiz Fux, do STF
(Supremo Tribunal Federal), votou contra o uso de tornozeleira eletrônica e a
aplicação de outras medidas cautelares a Jair Bolsonaro (PL). O magistrado
abriu divergência com a maioria já formada na Primeira Turma, que confirmou a
decisão do ministro Alexandre de Moraes contra o ex-presidente.
Fux ficou isolado no julgamento,
que terminou com o placar de 4 votos a 1. Além de Moraes, votaram a favor das
medidas os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.
O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), em sessão de interrogatório dos réus do núcleo central da trama golpista de 2022, na Sala da Primeira Turma da corte – Evaristo Sá – 10.jun.2025/AFP.
O ministro afirmou que a
Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-geral da República (PGR) não apresentaram
novas provas de “qualquer tentativa de fuga empreendida ou planejada pelo
ex-presidente” e que, portanto, “não se vislumbra nesse momento a necessidade,
em concreto, das medidas cautelares impostas”.
Fux acrescentou ainda que a
proibição do uso de redes sociais, de forma prévia e abstrata, “confronta-se
com a cláusula pétrea da liberdade de expressão”.
“A amplitude das medidas
impostas restringe desproporcionalmente direitos fundamentais, como a liberdade
de ir e vir e a liberdade de expressão e comunicação, sem que tenha havido a
demonstração contemporânea, concreta e individualizada dos requisitos que
legalmente autorizariam a imposição dessas cautelares”, afirmou.
O ministro é visto com
simpatia por aliados de Bolsonaro. Pessoas que acompanham as discussões sobre
as recentes sanções impostas pelo governo dos EUA a ministros do STF afirmam
que Fux foi poupado da revogação de visto aplicada a Moraes e outros
integrantes da corte.
No julgamento da trama
golpista, Fux tem questionado a confiabilidade da delação do tenente-coronel
Mauro Cid, além de ter criticado a tramitação do caso na Primeira Turma da
corte.
No voto divergente, Fux disse
que, apesar da acusação de que Bolsonaro e seu filho que está nos Estados
Unidos, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), fazem uma articulação
com o governo dos EUA para pressionar o STF no julgamento da trama golpista, os
integrantes do tribunal não são permeáveis a “pressões dos setores que
manifestam desagrado com as suas decisões”.
Para o ministro, “juízes
julgam conforme a sua livre convicção, em análise dos elementos fáticos e
jurídicos constantes de cada caso”.
Na sexta-feira (18), Moraes autorizou uma operação da Polícia Federal contra o ex-presidente e impôs medidas contra ele, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de comunicação com Eduardo.
FONTE: AGÊNCIA BRASIL.