Publicada em 18/07/2025 às 09h32.
Câmara aprova pauta-bomba de R$ 30 bi após derrota no IOF e veto de Lula a mais deputados
Parlamentares falam em resposta a derrotas sofridas, e líder alega quebra de acordo; texto vai ao Senado

Foto: Divulgação.          


 A Câmara aprovou na noite desta quarta-feira (16) uma pauta-bomba que inclui um crédito subsidiado de até R$ 30 bilhões para o agronegócio com verbas de petróleo do pré-sal.

 

A votação ocorreu após o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao aumento de deputados e a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de validar o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), contra a decisão anterior do Congresso. Ao final, produtores rurais do Rio Grande do Sul comemoraram com parlamentares no plenário o placar de 346 contra 93. O texto agora vai ao Senado.

 

A sessão desta quarta aconteceu sob tumulto, em parte pela grande quantidade de itens na pauta —uma vez que deve ser a última do semestre—, mas acentuado pela revolta dos parlamentares após os anúncios das decisões do Executivo e do Judiciário.

 

Segundo deputados de centrão e governistas ouvidos pela “Folha”, sob reserva, a votação foi uma manobra de retaliação. Outros ponderam que essa já era uma possibilidade à tarde. Os ruralistas já vinham pressionando havia semanas para que o projeto avançasse na Casa.

 

Pauta-bomba aprovada pela Câmara


Este era um dos 44 itens da pauta, e parte da Câmara defendia que ele fosse votado, mas parlamentares afirmam que, até então, não havia consenso de que ele seria colocado em discussão.

 

Após a notícia das duas medidas, deputados se revoltaram e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), saiu do plenário para ir conversar com seu par do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

 

Motta depois conversou com lideranças do centrão e com o agronegócio e confirmou a eles o avanço da pauta sensível ao governo Lula.

 

A proposta inicialmente era voltada apenas ao pequeno produtor rural, mas foi reformada para autorizar o uso de até R$ 30 bilhões do Fundo Social do pré-sal —que recebe royalties do petróleo e hoje complementa áreas como educação, saúde e habitação—, para refinanciar dívidas gerais do agronegócio com juros subsidiados.

 

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), discursou com duras críticas à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e o relator, Afonso Hamm (PP-RS). Guimarães alegou que havia um diálogo com o governo para chegar a um consenso sobre o texto —o que teria sido rompido com a votação.



FONTE: AGÊNCIA BRASIL.




 

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