Entre janeiro e novembro de 2024, 11 pessoas
foram assassinadas em decorrência da violência no campo, segundo dados parciais
da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e do Centro de Documentação Dom Tomás
Balduíno (Cedoc). O número representa uma redução em relação aos 16 homicídios
registrados no mesmo período do ano anterior. Contudo, a CPT alerta que ao
menos nove casos seguem sob análise, podendo ampliar as estatísticas.
Dos assassinatos confirmados,
sete ocorreram na Amazônia Legal, evidenciando a persistência da violência nas
áreas de maior pressão fundiária. Entre as vítimas, 10 eram homens e uma era
mulher: a liderança indígena Nega Pataxó, assassinada em janeiro durante um
ataque atribuído ao grupo ruralista “Invasão Zero” no território
Caramuru-Catarina Paraguassu, na Bahia. Testemunhas acusaram a Polícia Militar
de conivência e participação ativa no ataque.
Embora os homicídios tenham
diminuído, outros tipos de violência, como ameaças de morte, criminalização e
intimidação, cresceram em regiões estratégicas para o agronegócio, como Amacro,
Matopiba e a própria Amazônia Legal. A contaminação por agrotóxicos também
disparou, com 182 casos registrados, a maioria no Maranhão.
Os posseiros despontam como os mais afetados, com 235 casos de violência, seguidos por indígenas (220), quilombolas (116) e sem-terra (92). Fazendeiros lideram como os principais responsáveis, envolvidos em 339 conflitos. A CPT reforça que, mesmo diante da queda no número de homicídios, 2024 é marcado por um cenário de alta violência estrutural no campo.
FONTE: AGÊNCIA BRASIL.