Publicada em 24/04/2016 às 09h33.
Ato 'enterra' na areia em PE senadores contra o impeachment
Cartazes com 'Fora Dilma' e 'Lula nunca mais' também foram fincados. Ação é uma extensão do site 'Mapa do Impeachment'.

A Praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, voltou a ser cenário de um ato favorável a aprovação do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Neste sábado (23), placas com os rostos dos senadores que estão indecisos sobre o processo de afastamento da chefe do Executivo e contra foram fincados na areia, chamando a atenção de quem passava pelo local. Pelas estimatimas dos organizadores, são 13 indecisos e 23 contrários.


Chamado de 'Enterro da Vergonha', o ato contou com faixas com mensagens como "Impeachment já" e "Fora Dilma". Vestidos com camisas amarelas em que se lia "Meu partido é o Brasil", os participantes da manifestação enterraram na areia bonecos que representam  a atual presidente do Brasil e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Motoristas que passavam na Avenida Boa Viagem interagiam com os manifestantes acionando as buzinas do veículo ao lerem o cartaz "Contra corrupção, buzine".


"Nós voltamos às ruas para trazer às pessoas o conhecimento de quem não apoia ou ainda não se decidiu sobre o impeachment de Dilma. Acabou aquela época em que o cidadão votava e esquecia os políticos eleitos. Temos que ter voz e participar ativamente da política para sermos respeitados por aqueles que escolhemos para nos representar", ressalta Gustavo Gesteira, representante do movimento Vem Pra Rua, que organizou esse ato semelhante ao realizado no dia 3 de abril, também na Praia de Boa Viagem. Na ocasião, foram os deputados indecisos ou contrários ao impeachment que tiveram suas fotos expostas no local.


Uma faixa presente no ato convida as pessoas a acessarem o Mapa do Impeachment, uma ferramenta virtual utilizada para pressionar os políticos ao revelar a posição de cada um deles com relação ao processo de afastamento da presidente. Durante o ato, uma caixa de som tocava músicas com refrãos como "Pensou que ia ser ministro da Casa Civil, mas a casa caiu".


Enrolada em uma bandeira do Brasil, a mineira Bernadete Meireles, de 56 anos, 11 deles morando em Pernambuco, participava do ato desde o início dele, por volta das 11h, até o encerramento, às 13h. "É extremamente importante irmos para as ruas, pois só assim a gente pode fazer a diferença para combater a corrupção. Estamos lutando por um país melhor não apenas para a gente, mas também para as futuras gerações", explicou.


Andando de bicicleta na orla com o filho, o militar Márcio Gonçalves, de 45 anos, interrompeu o passeio para conferir o nome dos senadores indecisos ou contrários ao impeachment de Dilma Rousseff. "Não é porque o processo foi aprovado na Câmara dos Deputados que temos que diminuir a mobilização, pois ainda falta o Senado aprovar. Temos que continuar atentos sempre, pois estamos lutando contra algo bem maior: a corrupção no Brasil", afirmou.


Processo
Por 367 votos favoráveis e 137 contrários, a Câmara dos Deputados aprovou a autorização para ter prosseguimento no Senado o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Houve sete abstenções e somente dois ausentes dentre os 513 deputados. A sessão durou 9 horas e 47 minutos; a votação, seis horas e dois minutos. No Senado, são previstas três votações em plenário até a conclusão do processo:


- Os senadores terão que eleger uma comissão especial para analisar o caso. O colegiado será formado por 21 senadores titulares e 21 suplentes.


- O colegiado tem até 48 horas para se reunir e eleger o presidente. O relator terá prazo de dez dias para apresentar um parecer pela admissibilidade ou não do processo.


- O parecer será ser votado na comissão e depois irá ao plenário, que precisa  aprovar por maioria simples (metade dos presentes na sessão mais).


- Se aprovado o relatório no plenário, será considerado instaurado o processo, e a presidente será notificada. Ela será afastada por até 180 dias para que ocorra o julgamento, e o vice-presidente assumirá a Presidência da República.


- Neste período a presidente poderá se defender, e um novo parecer da comissão especial deverá analisar a procedência da acusação, com base na análise de provas. De novo, esse parecer terá que ser aprovado por maioria simples


- Se aprovado o parecer, inicia a fase de julgamento, que é comandada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal.


- Para que a presidente perca o cargo, o impeachment tem que ser aprovado por dois terços dos senadores - 54 dos 81.


- Os prazos previstos para cada etapa do processo poderão ser alterados de acordo com decisão do presidente do Senado.


G1

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