Para chegar ao primeiro lugar do mundo no tiro esportivo na pistola de ar, o brasileiro Felipe Wu não encarou apenas adversários nos estandes. A burocracia também foi e continua sendo obstáculo, mesmo após se tornar militar. Importar novas armas e munição sem imposto demandaria uma espera de cerca de um ano, inviável com os Jogos Olímpicos do Rio batendo na porta. O paulista de 24 anos alcançou o feito inédito no ranking mundial ao vencer em março a etapa da Copa do Mundo na capital tailandesa de Bangcoc.
Ele chega ao evento-teste no Centro Olímpico de Tiro Esportivo, em Deodoro, como principal atração entre os brasileiros. A competição, aberta apenas a convidados, começou na sexta-feira e termina no dia 25. Felipe compete neste sábado, a partir das 12h.
No vídeo acima, produzido pelo GloboEsporte.com no Centro de Treinamento na Escola Naval do Rio de Janeiro, Wu conta detalhes de sua trajetória na modalidade e expõe as dificuldades de se manter em alto nível num esporte pouco divulgado no país.
Ver um brasileiro no topo do ranking do tiro esportivo pode parecer tão estranho quanto uma criança praticando o esporte. Mas a dedicação e os investimentos que incluíram a construção de um estande na garagem da casa dos pais, onde ainda treina ocasionalmente, deram resultado: medalha de prata nos Jogos Olímpicos da Juventude, em 2010, ouro no Pan de Toronto 2015 e a recente vitória na Tailândia. O estranhamento ao redor diminuiu, e a curiosidade aumentou. Quem o procura para pedir informações sobre o esporte, porém, não se anima:
- Recebo mensagem no Facebook: "Achei legal, como eu faço pra atirar? Tem algum clube?". Mas a minha resposta é uma coisa meio triste. O que eu vou responder? Não tem clube. Tem que comprar equipamento. O investimento inicial é alto - disse.
Para um atleta de alto nível, como ele, treinar e competir pode custar em torno de R$ 36 mil por ano, valor que agrega arma, munição e manutenção. Um dia de treino fora de época de competição pode sair a R$ 200, calculando o gasto de munição. O Comitê Olímpico do Brasil (COB) e a Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE) ajudam.
Felipe vai para os Jogos com chance de medalha. Mas se não conseguir, um prêmio e tanto para o tiro esportivo com o Rio 2016 seria o aumento da visibilidade no país, a redução da burocracia e a abertura de novos lugares para a prática.
Globo Esporte