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A Justiça Federal condenou integrantes de um esquema de fraudes em financiamentos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) que desviou mais de R$ 1,9 milhão em recursos públicos no Sertão pernambucano.
As
irregularidades ocorreram entre 2010 e 2012 na agência do Banco do Nordeste
(BNB) de Ouricuri, no Sertão do Araripe, e envolveram a liberação de operações
de crédito rural com documentação inexistente ou adulterada.
A
sentença foi assinada no último dia 26 de maio pelo juiz federal substituto
Bruno Rodolfo de Oliveira Melo, da 27ª Vara Federal de Pernambuco. De acordo
com o processo, o grupo utilizava dados falsos inseridos diretamente no sistema
da instituição financeira para viabilizar financiamentos supostamente
destinados a agricultores familiares vinculados ao Pronaf, programa criado para
estimular a produção rural de pequeno porte.
As
investigações apontaram que o esquema funcionava a partir de uma atuação
articulada entre pessoas ligadas ao banco e intermediadores externos. Um então
funcionário da agência teria usado o cargo para cadastrar operações
fraudulentas e autorizar a liberação dos recursos, enquanto outro integrante
atuava fora da instituição, aliciando agricultores da região e recolhendo
documentos pessoais sob promessa de facilitação no acesso ao crédito.
Segundo a decisão judicial, os recursos públicos acabavam sendo desviados para contas vinculadas aos participantes da fraude e a fornecedores fictícios, sem comprovação da atividade agrícola ou da destinação correta do dinheiro.
As
operações também teriam sido realizadas sem a existência dos documentos físicos
obrigatórios exigidos para contratação do crédito rural.
Na
sentença, o magistrado destacou que as irregularidades comprometeram
diretamente uma política pública considerada estratégica para o desenvolvimento
econômico do Semiárido e para a subsistência de famílias agricultoras. Para o
juiz, a investigação revelou falhas estruturais provocadas deliberadamente para
dificultar mecanismos de controle e fiscalização.
“O
que se apurou foi a existência de um conjunto de operações de crédito rural
vinculadas ao Pronaf, operacionalizadas no âmbito da agência do BNB em
Ouricuri/PE, que apresentavam vícios estruturais desde sua origem”, registrou o
magistrado na decisão.
Com a condenação, os principais envolvidos deverão responder por crimes como inserção de dados falsos em sistema de informações, fraude em instituição financeira e corrupção ativa e passiva, além da obrigação de ressarcimento dos valores desviados aos cofres públicos.
FONTE: DIÁRIO DE PERNAMBUCO.