Publicada em 25/05/2026 às 11h25.
Adoção: Pernambuco lidera ranking do Nordeste; saiba mais sobre como adotar
Em 2025, estado teve 216 registros, o que o posicionou em sétimo lugar na lista nacional.

Foto: Divulgação.         


 Pernambuco está entre os sete estados brasileiros que mais promovem adoções no país e lidera o ranking do Nordeste, tendo encerrado o ano de 2025 com 216 adoções das 4.971 registradas no Brasil. 


Atualmente, segundo dados atualizados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Brasil possui 32.060 pretendentes ativos cadastrados e habilitados para adoção, enquanto 6.234 crianças e adolescentes encontram-se disponíveis e aptos para adoção.


Os números nacionais demonstram, ano após ano, que o contingente de pessoas interessadas em adotar é significativamente superior ao número de crianças e adolescentes disponíveis.


Ainda assim, especialistas apontam que o perfil idealizado pelos pretendentes estão concentrados em determinadas faixas etárias e fatores relacionados à adoção de grupos de irmãos ou de crianças com condições específicas de saúde.

Essa preferência influencia diretamente no tempo de espera e nos desafios enfrentados pelas varas da infância.


Estatísticas


De acordo com o mapeamento do SNA/CNJ, os pretendentes à adoção no país preferem adotar quem ainda está na primeira infância.

O maior interesse nacional está na faixa de 2 a 4 anos, com 10.248 cadastros (aproximadamente 32% das intenções), seguida pelas crianças de 4 a 6 anos, com 9.736 registros (cerca de 30%). Em seguida aparecem os menores de até 2 anos, com 6.013 manifestações de interesse (aproximadamente 20% do total).

 

O interesse dos habilitados começa a diminuir progressivamente após a primeira infância. A faixa de 6 a 8 anos soma 4.154 cadastros, enquanto o grupo de 8 a 10 anos registra 1.178 intenções.


Entre crianças de 10 a 12 anos, o número cai para apenas 424 cadastros. Já os adolescentes seguem sendo os menos procurados no sistema de adoção brasileiro.


A adoção de crianças maiores cai drasticamente nas faixas subsequentes: o grupo de 12 a 14 anos registra somente 152 cadastros, enquanto jovens entre 14 a 16 anos somam apenas 82 pretendentes. O cenário mais crítico é o dos maiores de 16 anos, que contam com apenas 62 cadastros em todo o país.


Atualmente, a maior parte das crianças e adolescentes aptos à adoção no Brasil está concentrada justamente nas faixas etárias menos procuradas pelos pretendentes: cerca de 22% têm entre 14 e 16 anos e outros 22% possuem mais de 16 anos.


Já os adolescentes entre 12 e 14 anos representam aproximadamente 20% do público disponível para adoção.


Pernambuco


Em Pernambuco, o perfil das adoções segue a mesma tendência observada nacionalmente, com a preferência dos candidatos habilitados no estado concentrada na primeira infância.


Crianças de 2 a 4 anos lideram o interesse local com 36,11% (329 cadastros), seguidas pelas de 4 a 6 anos, com 29,53% (269 cadastros).


Menores de até 2 anos representam 21,52% das intenções (196 cadastros), enquanto a faixa de 6 a 8 anos soma 8,34% (76 cadastros). O interesse diminui progressivamente nas faixas de 8 a 10 anos, com 2,09% (19 cadastros), e de 10 a 12 anos, com 0,77% (7 cadastros).


Em contrapartida, a procura despenca entre adolescentes: apenas 0,22% dos pretendentes demonstram interesse na faixa de 12 a 14 anos (2 cadastros), o mesmo percentual registrado para jovens de 14 a 16 anos (2 cadastros). Para maiores de 16 anos, há somente um cadastro ativo de interesse no estado.


A baixa procura ocorre justamente nas faixas etárias que concentram a maior parcela de crianças e adolescentes acolhidos e aptos à adoção em Pernambuco e no Brasil.


Saiba mais sobre o passo a passo para o ato da adoção

 

O primeiro passo para a pessoa que está interessada em adotar uma criança e/ou adolescente no Brasil é acessar e fazer o pré-cadastro no site do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento do Conselho Nacional de Justiça.


Ao finalizar esse procedimento, deve anotar/salvar o código fornecido pelo sistema.
 

Na sequência, os interessados e interessadas devem buscar informações sobre os documentos e procedimentos necessários na Vara da Comarca onde você reside por telefone ou pelo aplicativo TJPE Atende.
 

Nas unidades judiciárias são cumpridas todas as etapas para a habilitação dos candidatos a pais e mães. É válido ressaltar que a idade mínima para se habilitar à adoção é 18 anos, independentemente do estado civil, desde que seja respeitada a diferença de 16 anos entre quem deseja adotar e a criança a ser acolhida.
 

Em seguida, deve ser feita a preparação de pretendentes à adoção. A capacitação de 12 horas/aula pode ser feita no formato de ensino a distância ou presencial. Outras orientações são fornecidas pela vara judiciária.
 

Após concluir a preparação, o requerimento de adoção deve ser realizado. Para isso, os requerentes devem anexar o certificado de conclusão do curso e os demais documentos indicados pela unidade judiciária. O protocolo é efetuado no setor de distribuição de cada comarca.
 

Depois do trâmite processual, se o pedido for acolhido pelo juiz ou juíza, o nome dos requerentes serão inseridos no Sistema Nacional de Adoção.
 

Quando for encontrada uma família para uma criança ou adolescente, será iniciada a fase de aproximação e convivência.
 

Após a verificação da viabilidade da adoção pela equipe técnica da unidade judiciária, o juiz ou a juíza dá a sentença, determinando que seja feito um novo registro de nascimento e que seja cancelado o anterior.


Iniciativas de acolhimento


O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) vem dando visibilidade às histórias de crianças e adolescentes que vivem em instituições de acolhimento.

 

Atualmente, o Tribunal vem aproximando pretendentes de meninos e meninas, especialmente aqueles com idade mais avançada ou pertencentes a grupos de irmãos, ampliando as possibilidades de convivência familiar e construção de novos lares.


A iniciativa é representada pela prática da Busca Ativa, reformulada em novembro de 2016 e coordenada pela Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja).


A ferramenta utiliza postagens humanizadas no perfil do Ceja no Instagram para apresentar o perfil de crianças e adolescentes aptos à adoção que vivem em acolhimento institucional. Desde a sua criação, a ação já contribuiu para cerca de 400 adoções.


A Busca Ativa integra o Programa Ciranda Conviver, iniciativa voltada à garantia do direito à convivência familiar e comunitária de crianças e adolescentes acolhidos institucionalmente.


Dentro do eixo “Buscando Famílias”, o programa atua na procura de pretendentes para crianças e adolescentes que ainda não conseguiram vinculação pelo Sistema Nacional de Adoção, principalmente em razão da idade, de condições de saúde ou da existência de grupos de irmãos. 


“A Busca Ativa pelo Ciranda Conviver tem se mostrado muito exitosa por dar visibilidade aos jovens não vinculados pelo SNA. É também um canal direto com a população pelas redes sociais”, ressalta a coordenadora da Ceja, juíza Ana Carolina Avelar.


A magistrada explica ainda que o processo de habilitação para adoção no TJPE não exige advogado ou defensor público.


Antes da capacitação, os pretendentes participam de encontros promovidos por grupos de apoio à adoção, considerados fundamentais para esclarecer dúvidas e desconstruir preconceitos relacionados aos diferentes perfis de crianças e adolescentes disponíveis para adoção.


Preservação dos vínculos entre irmãos


Outra iniciativa de destaque do TJPE é o Programa Famílias Solidárias, desenvolvido pela 2ª Vara da Infância e Juventude da Capital por meio do Núcleo de Apoio ao Cadastro Nacional de Adoção (Nacna).


O projeto busca preservar os vínculos afetivos entre irmãos acolhidos institucionalmente, mesmo quando não é possível a adoção conjunta.


Criado em 2012, o programa permite que irmãos sejam adotados por famílias diferentes, desde que exista o compromisso de manutenção da convivência fraterna.


Desde então, a iniciativa já acompanhou 119 crianças e adolescentes inseridos em 91 lares, formando mais de 50 grupos fraternos.



FONTE: FOLHA PE.




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