Publicada em 09/10/2025 às 00h07.
Primeira fase do cessar-fogo em Gaza será assinada nesta 5ª feira no Egito
As negociações estão sendo feitas no Egito.

Foto: Divulgação.    


 Israel e o movimento islamista palestino Hamas alcançaram, nesta quinta-feira (9, data local), um acordo para um cessar-fogo em Gaza, na primeira fase do plano do presidente americano Donald Trump para encerrar a guerra de dois anos em Gaza.


O acordo foi anunciado por Trump em sua rede, Truth Social, e confirmado posteriormente pelo Catar — um dos mediadores do pacto — e fontes do Hamas que participam nas negociações indiretas no Egito.

 

Trump disse que estava "muito orgulhoso" de anunciar o acordo, com o qual "TODOS os reféns serão libertados logo e Israel retirará suas tropas para uma linha estabelecida, como os primeiros passos rumo a uma paz forte, duradoura e eterna".

 

Uma fonte próxima às negociações disse à AFP que o pacto será firmado nesta quinta-feira.

 

"É um grande dia para Israel", afirmou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que agradeceu a Trump e adiantou que reuniria seu gabinete para aprovar o acordo, alcançado com mediação de Egito e Catar.

 

Uma fonte do Hamas detalhou que o acordo contempla a libertação de 20 reféns israelenses em seu poder de uma só vez, em troca de cerca de 2 mil prisioneiros palestinos em prisões israelenses.

 

A troca deve acontecer nas 72 horas seguintes ao início da implementação do acordo, detalhou à AFP essa fonte, que está por dentro das negociações.

 

"Com a ajuda de Deus", todos os reféns voltarão para suas casas, afirmou Netanyahu.

 

O Hamas garantiu que o pacto "prevê o fim da guerra" e pediu a Trump que fiscalize para que Israel cumpra sua parte.

 

Na noite de quarta-feira, em entrevista por telefone à emissora de televisão Fox News, o presidente americano disse que acredita que os reféns já estarão de volta a Israel na próxima segunda-feira, incluindo os restos mortais dos falecidos.

 

Uma nota manuscrita 

 

Em um momento dramático, jornalistas da AFP viram o secretário de Estado, Marco Rubio, interromper um evento na Casa Branca e entregar a Trump uma nota urgente sobre o progresso das negociações no Egito.

 

O acordo estava "muito próximo", indicava a nota manuscrita. "Precisamos que aprove um anúncio no Truth Social rapidamente para que você possa ser o primeiro a anunciar o acordo", acrescentava o bilhete.

 

O presidente egípcio, Abdel Fattah al Sissi, havia informado anteriormente que, em caso de acordo, Trump estava convidado para "assistir à assinatura".

 

Trump disse que poderia viajar no sábado ou no domingo.

 

O acordo foi fechado poucos dias depois de Israel marcar o segundo aniversário do ataque sem precedentes do Hamas, ocorrido em 7 de outubro de 2023.

 

Das 251 pessoas sequestradas naquele dia, 47 ainda permanecem em Gaza, 25 das quais estariam mortas, segundo o Exército israelense.

 

O plano de paz de Trump contém 20 pontos que preveem, além de um cessar-fogo, a retirada gradual do Exército israelense de Gaza, o desarmamento do Hamas e o envio de ajuda humanitária ao devastado território palestino.

 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, comemorou o anúncio do acordo e instou as partes a "respeitarem plenamente" os seus termos.

 

Polêmica 

 

Altos funcionários dos Estados Unidos, do Catar e da Turquia se juntaram durante o dia às negociações, das quais também participam o enviado de Trump, Steve Witkoff, e o genro do presidente, Jared Kushner.

 

Duas tréguas anteriores, em novembro de 2023 e no início de 2025, permitiram o retorno de reféns ou corpos de cativos em troca de prisioneiros palestinos.

 

Em meio às negociações sobre o plano de paz, um ministro israelense de extrema direita, Itamar Ben Gvir, visitou a Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, provocando a ira do Hamas e de vários países árabes.

 

O ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 resultou em 1.219 mortos, a maioria civis, segundo um balanço elaborado a partir de dados oficiais.

 

Em resposta, Israel lançou uma campanha militar que devastou o território palestino, provocou uma catástrofe humanitária e deixou, de acordo com o Ministério da Saúde do governo do Hamas, mais de 67.100 mortos, também civis em sua maioria.

 

A ONU declarou estado de fome em parte de Gaza, e investigadores independentes dessa organização internacional afirmam que Israel está cometendo um "genocídio" — algo que as mais altas autoridades israelenses rejeitam.



FONTE: AGÊNCIA BRASIL.




 



    

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