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Cerca de duas horas após ter
sido derrubado em votação na Câmara dos Deputados, o decreto do governo federal
que aumentava alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também foi
rejeitado em votação simbólica no plenário do Senado Federal, que aprovou um
projeto de decreto legislativo (PDL) revogatório da medida até então em vigor.
As duas votações representam
uma derrota política para o governo, que agora precisará definir outras formas
de arrecadar ou economizar R$ 20,5 bilhões para cumprir a meta fiscal do
orçamento de 2025. Isso porque o governo já bloqueou ou contingenciou outros R$
31,3 bilhões em despesas deste ano.
A votação foi conduzida pelo
presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que pautou o decreto
logo após a decisão dos deputados.
Segundo o líder do governo no
Senado, Jacques Wagner (PT-BA), o decreto editado pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva havia sido fruto de um acordo político envolvendo os líderes do
governo com os presidentes da Câmara e do Senado, e já esvaziava o alcance de
uma medida anterior que havia sido revogada pelo próprio governo para atender
exigência dos parlamentares.
“Essa Casa vive de cumprir
acordos. Foi feito um acordo que está sendo descumprido. Eu não acho isso bom
para o Parlamento”, criticou Jacques Wagner.
No Senado, todos os nove
senadores do PT registraram voto contrário à derrubada do decreto. O senador
Weverton Rocha (PDT-MA) também manifestou voto contrário.
Inclusão na pauta
A decisão de pautar a
derrubada do decreto do IOF foi anunciada mais cedo pelo presidente da Câmara,
Hugo Motta (Republicanos-PB), em postagem as redes sociais.
Segundo ele, a maioria da
Câmara não concorda com elevação de alíquotas do IOF como saída para cumprir o
arcabouço fiscal e tem cobrado o corte de despesas primárias.
Já o governo alega que a
medida é necessária para evitar mais cortes em políticas sociais e maiores
contingenciamentos que podem afetar o funcionamento da máquina pública.
Além disso, segundo o ministro
da Fazenda, Fernando Haddad, as regras do decreto corrigiam injustiças
tributárias de setores que não pagam imposto sobre a renda.
Mudanças
Entre as medidas propostas no
decreto, estavam o aumento na taxação das apostas eletrônicas, as chamadas
bets, de 12% para 18%; das fintechs, de 9% para 15% a alíquota da Contribuição
Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), igualando-se aos bancos tradicionais; a
taxação das Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do
Agronegócio (LCA), títulos que atualmente são isentos de Imposto de
Renda.
O decreto fazia parte de
medidas elaboradas pelo Ministério da Fazenda, juntamente com uma Medida Provisória
(MP) para reforçar as receitas do governo e atender às metas do arcabouço
fiscal.
Debate
“O decreto do presidente da
República visa fazer justiça tributária. Por mais que se fale, todos nós
sabemos que muitos enviam, às vezes, dinheiro para o exterior, ou gastam
dinheiro no exterior, fugindo do pagamento do IOF. E a ideia do governo era
evitar essas fugas”, argumentou Jacques Wagner, líder do governo, durante a
discussão da matéria no plenário do Senado.
Já o relator do PDL em
plenário, senador Izalci Lucas (PL-DF), leu um parecer contrário ao aumento no
IOF. Segundo o parlamentar, a medida afetaria micro e pequenas empresas,
operações de câmbio, atividades de seguradoras e entidades de previdência
complementar. Além disso, ele afirmou que a medida fere os princípios da
legalidade tributária e da segurança jurídica.
“Por sua natureza
constitucional, o IOF deve ser utilizado com finalidade regulatória e não como
instrumento de arrecadação primária”, observou.
“O aumento do IOF sobre operações de crédito eleva sensivelmente o custo do capital para as empresas, especialmente as de menor porte, afetando também consumidores que dependem de crédito pessoal e imobiliário”, acrescentou.
FONTE: AGÊNCIA BRASIL.