Publicada em 08/01/2016 às 09h59.
Lama da Samarco pode ter chegado a Abrolhos na Bahia
Segundo o Ibama, ventos fortes dos últimos dias teriam levado a lama para o sul da Bahia

Imagens de satélite e inspeções aéreas apontaram que a mancha de lama que surgiu após o rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais, pode ter chegado ao arquipélago de Abrolhos, no sul da Bahia, uma das áreas de maior diversidade de corais do Atlântico.


A informação foi divulgada nesta quinta-feira (7) pelo Ibama e ICMBio, que mantém o parque marinho.


Segundo a presidente do Ibama, Marilene Ramos, ventos fortes registrados nos últimos dois dias fizeram com que a mancha que vinha se espalhando na direção sul do litoral do Espírito Santo passasse a se espalhar também no litoral norte, chegando ao sul da Bahia.


"Fizemos uma inspeção no Parque de Abrolhos e registramos a presença de uma lama que, pelo aspecto visual, tudo indica que seja a própria mancha bastante diluída que está se estendendo no Espírito Santo", afirmou.


A Samarco -formada pela brasileira Vale e pela anglo-australiana BHP- foi notificada para iniciar a coleta de amostras no local. Técnicos do Ibama e do parque também realizam análises para comprovar a origem do material. Os resultados devem ser divulgados em até dez dias.


Apesar de ainda não descartar outras hipóteses, Ibama e ICMBio dizem que é "muito provável" que a lama seja oriunda do desastre ambiental causado pelo rompimento da barragem da empresa em Mariana (MG), ocorrido em novembro.


De acordo com Ramos, a mancha se estende da foz do rio Doce até o parque de Abrolhos. "A observação de campo dá indícios de estar ligado à lama do rio Doce", diz Cláudio Maretti, presidente do ICMBio.


Segundo ele, outra possibilidade é que os sedimentos ocorram por conta de uma erosão - daí a necessidade de análise.


A possível chegada da lama poderá trazer impactos à preservação do santuário marinho. "O primeiro impacto é a diminuição na produtividade dos corais. É como se tivesse uma mancha preta na Amazônia, e ela não pudesse continuar sua fotossíntese", compara.


Praias interditadas

Segundo Marilene Ramos, a pluma de sedimentos de maior concentração no litoral se estende por 392 km². Já a de menor concentração -ou seja, mais diluída- chega a 6.197 km².


Nesta semana, a prefeitura de Linhares, no Espírito Santo, interditou as principais praias do município devido ao aumento da turbidez da água.


Questionada, a presidente do Ibama diz que não há recomendada a interdição das praias nas regiões onde a mancha de lama se mostra mais diluída. Segundo ela, as medidas devem ser analisadas caso a caso.


"Ainda que haja uma preocupação com a turbidez, essas amostras não indicam nenhuma presença de metais pesados ou de substâncias tóxicas que pudessem comprometer a balneabilidade", afirma. "Mas obviamente que onde a turbidez é elevada não é recomendado o banho", completa.


FONTE: FOLHAPE

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