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Gigante. É assim que João Pedro Borges Beltrão, de 10 anos, se apresenta para as pessoas. Jogador de Futebol 7, o jovem atleta já coleciona duas convocações para a seleção brasileira sub-10 da modalidade e vai participar de uma competição no Uruguai em setembro.
Apesar da pouca idade, a trajetória de João Pedro começou bastante cedo, contou Cibele Beltrão, mãe do garoto, à Folha de Pernambuco.
“[Ele] ama futebol desde sempre. Seu único brinquedo sempre foi a bola, ou tudo acabava se transformando em uma. Ele começou em uma escolinha aos 4 anos”, iniciou Cibele.
Segundo a mãe de João Pedro, o filho nutria desde cedo o sonho de entrar no Centro de Futebol e Treinamento (CFT), em Casa Amarela, na Zona Norte do Recife, mas não podia porque a idade mínima permitida para se matricular na instituição era de 5 anos.
“Ele chorava todos os dias ao ver as outras crianças indo treinar e não poder acompanhá-las”, lembra.
Assim que completou o seu quinto aniversário, JP, como também é chamado, ingressou no CFT e passou a aprimorar mais as suas habilidades.
Em seguida, o jovem começou a integrar o futsal do Náutico, onde participou de suas primeiras competições.
Aos 7 anos, João Pedro passou na peneira do Sport, mas o deslocamento e o valor da mensalidade tornou a permanência no clube inviável para a família do menino.
No ano seguinte, foi para o Agrestina, escola que também fica em Casa Amarela, e tornou-se um dos pilares do time.
Oportunidade
Pelo Agrestina, João Pedro chegou a disputar a PE Cup de Fut7, uma das
competições mais importantes da modalidade, mas o sonho durou apenas um dia.
“O primeiro dia foi de muita emoção, pois, ao chegar, descobrimos que o time estava desclassificado por não cumprimento de algumas normas administrativas do campeonato.
Mesmo assim, para evitar mais constrangimentos às crianças, a organização permitiu que o time participasse dos dois jogos do dia”, contou Cibele Beltrão.
No entanto, João Pedro conseguiu se destacar mesmo com a situação desagradável. Ele marcou o único gol do Agrestina na derrota para o Náutico por 10 a 1 e chamou a atenção do Timbu.
“O professor do Náutico se aproximou e fez o convite. [...] Desde então, João Pedro passou a integrar o Náutico Fut7 Sub-9, ocupando seu espaço como ala esquerda e nos enchendo de orgulho a cada dia.”
Por meio dessa oportunidade, a rotina de João Pedro passou a ser com treinos de segunda a quinta-feira, dividida entre o Fut7 do Náutico, futsal do Capibaribe, no bairro do Parnamirim, LC Soccer, projeto do Alto José do Pinho, também na Zona Norte, e no projeto de Campo do Centauro.

Foto: Divulgação.
Luta
Apesar do amor pelo esporte e a dedicação aos treinos e jogos, a vida de atleta
não é fácil. Exige dedicação e diferentes despesas para a família de João
Pedro.
“Os gastos com inscrições, taxas de jogos, uniformes e deslocamentos são
constantes. Vivemos em uma eterna luta”, disse a mãe do jogador.
Para custear os valores, a família começou a vender bolsas, porta-chuteiras e enroladinhos para levar a alguns treinos, fizemos rifas, que nos ajudou a manter esse sonho vivo.
Com a convocação para o Uruguai Cup, surgiu a ideia do pastel solidário. Nos fins de semana, a família monta uma barraca na frente de casa para vender os pastéis.
“Conseguimos
uma fritadeira emprestada para começar, e tem dado super certo. Todo sábado e
domingo recebemos a visita de amigos, vizinhos e apoiadores no Pastel do João”,
comemorou Cibele Beltrão.
À Folha, João Pedro Gigante comentou sobre o significado do futebol
na sua vida.
"Futebol para mim é felicidade, é meu sonho,
mas não é fácil e jamais vou desistir. E um grande passo que darei será
representar o Brasil e o Nordeste no Uruguai Cup de 21 a 27 de setembro. Hoje
minha família dedica seu tempo para me ajudar a custear minha despesa com o
futebol", falou.
Aqueles que
quiserem ajudar João Pedro e a sua família a realizar esse sonho, podem
contribuir com qualquer valor para o pix solidário para a chave 132.959.914-48.
FONTE: FOLHA PE.