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O número de jovens de 13 a 17 anos que experimentaram sexo, drogas, álcool e cigarro caiu entre 2019 e 2024, aponta a Pense. No entanto, o uso de cigarro eletrônico (vape) triplicou nesse período. Na avaliação de Luisa Sabino, psicóloga que pesquisa adolescência, o cenário não revela exatamente uma diminuição de risco, mas uma mudança.
"A diminuição desses comportamentos não ocorre necessariamente porque houve mais consciência, mas porque o contexto mudou. Esses adolescentes hoje estão mais em casa e mais inseridos no ambiente digital. Isso muda completamente a forma de experimentar o mundo", diz.
"O fato de menos deles experimentarem sexo pode, por exemplo, refletir uma dificuldade de interação que tem sido muito mais presente, com jovens que têm menos contato presencial e vivem até um certo empobrecimento das relações afetivas".
Esse novo cenário também explica a ascensão do uso do vape, segundo ela. A pesquisa mostra que a proporção de jovens que passaram a usar o cigarro eletrônico passou de 8%, em 2019, para 26%, em 2024.
"Ele é um dispositivo discreto, que tem sabor e uma estética mais limpa, com impacto para as imagens circularem nas redes sociais. Tudo isso passa uma percepção de menor risco e de ser mais inofensivo, o que não é verdade", analisa.
O relatório da pesquisa do IBGE diz que o “aerossol do cigarro eletrônico geralmente contém menos substâncias químicas nocivas do que a mistura de sete mil substâncias químicas presentes na fumaça do cigarro convencional, no entanto, isso não torna os cigarros eletrônicos seguros”.
FONTE: FOLHA PE.