Publicada em 24/10/2025 às 09h59.
Fato ou Fake? Mitos sobre o metanol ganham as redes sociais
Interesse público no tema criou terreno fértil para disseminação de informações falsas e abuso de manipulações por inteligência artificial

Foto: Divulgação.            


 Assunto de interesse público no Brasil, a intoxicação por metanol é alvo de atualizações constantes nos âmbitos da saúde e da defesa social. A onda de informações que invade as redes sociais do país criou um terreno fértil para a disseminação de boatos sobre a crise do metanol, gerando desinformação, alarmes falsos, e prejudicando a circulação de informações úteis e verdadeiras sobre casos reais de contaminação.

 

Para combater as fake news sobre as intoxicações por metanol e a atual situação das investigações sobre adulteração de bebidas em fábricas clandestinas ao redor do país, entidades como o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as polícias civis e agências de notícias têm emitido notas oficiais confirmando ou desmentindo boatos iniciados nas redes sociais.

 

Entre as notícias falsas, estão boatos de que lotes de cerveja teriam sido apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo (PC-SP), por suspeita de contaminação. No TikTok e no WhatsApp, circularam vídeos manipulados forjando a informação de que lotes de produtos como café, leite e Coca-Cola teriam registrado contaminação. Todas as informações foram desmentidas.

 

É Fato ou Fake? 


Houve contaminação em lotes da Coca-Cola?


Não. Um vídeo, feito com inteligência artificial, mostra uma imagem similar à da jornalista Renata Vasconcellos noticiando a contaminação com o químico em refrigerantes da marca Coca-Cola, além de garantir que o governo já investiga a presença da substância em lotes da bebida.

 

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), afirmam desconhecer investigações em torno do tema. A Coca-Cola também informou que não há investigação em andamento em torno de seus produtos.

 

E em outras bebidas não alcoólicas, como leite e café, houve registro de contaminação?


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária informa: “Não foi recebida, na Anvisa, qualquer denúncia (fundamentada ou não) que relacione a contaminação por metanol em bebidas não alcoólicas, incluindo refrigerantes, ou em café em pó ou leite”.

 

A Polícia de São Paulo apreendeu lotes da Heineken? Cervejas têm registrado contaminação?


Até o momento, as autoridades sanitárias e de segurança pública do Brasil não registraram apreensão de cervejas adulteradas e contaminadas por metanol em níveis altamente tóxicos ou letais. Além disso, não há registro de intoxicações, confirmadas ou suspeitas, por pacientes ou vítimas que tenham ingerido cerveja antes de desenvolverem os sintomas de envenenamento.

 

Caso Heineken: o boato surgiu a partir de outra manipulação de vídeo, realizada com uso de inteligência artificial. Nesta, a imagem do jornalista e apresentador Reinaldo Gottino foi utilizada para noticiar, no programa Cidade Alerta, que a PC-SP apreendeu lotes contaminados da Heineken.

 

A Polícia Civil de São Paulo informou que não fez nenhuma apreensão de cerveja com metanol até o momento. A cervejaria também negou ter histórico de falsificação e adulteração em larga escala e esclareceu que a adulteração do produto com uso de metanol não é rentável para falsificadores, além de ser mais facilmente percebida do que em destilados.

 

Teste com óleo e sal identifica metanol na cerveja?


Não. Nenhum teste caseiro tem reação química reconhecida pela capacidade de identificar a presença do metanol em qualquer bebida. Não há reação química confiável.

 

Leite é antídoto para metanol?


Não. No TikTok, um vídeo com mais de 200 mil visualizações alegava que o leite era um “remédio caseiro que combate o metanol no seu corpo”. O vídeo induz o internauta a beber leite para desintoxicar, seguir bebendo água e, então, “correr para o pronto-socorro”.

 

O Ministério da Saúde informa que não há evidências científicas que comprovem que o leite tenha eficácia como remédio contra a intoxicação por metanol. Em caso de suspeita, o órgão orienta que o paciente procure atendimento médico imediatamente.

 

Bebidas não adulteradas podem ter metanol?


Sim. O uso comum do metanol acontece na indústria, geralmente em combustíveis, solventes e produtos de limpeza, sem risco ao consumidor. Em algumas bebidas alcoólicas legítimas, o químico pode aparecer em quantidades mínimas, sem potencial letal. Essa presença do metanol na bebida é um resultado natural do processo de fermentação. No entanto, ele é filtrado e eliminado antes que o produto chegue ao mercado.

 

É possível identificar a presença do metanol pela cor ou cheiro da bebida?

Não. O metanol é incolor, inodoro e insípido (sem cor, cheiro ou gosto). Não é possível identificar a presença dele a olho nu ou através da degustação, somente por análise laboratorial.

 

Contaminação por metanol está ligada ao fim do Sicobe?

Não. O Sistema de Controle de Bebidas (Sicobe), desativado em 2016, era um sistema usado pela Receita Federal que acompanhava, por meio de máquinas instaladas nas fábricas, a quantidade exata de cervejas, refrigerantes e águas produzidas, além do tipo de produto, da embalagem e da marca. O Sicobe não avaliava a qualidade das bebidas, apenas media o volume produzido.

 

A Receita Federal alerta que é falsa a correlação entre a criminosa adição de metanol em bebidas destiladas disponibilizadas a consumidores com o desligamento do sistema. O controle de destilados, como vodca, gin e uísque, é usualmente feito pela utilização de selos, impressos pela Casa da Moeda e aplicados nas tampas das garrafas, e que não têm relação, nem se confundem com o Sicobe.



FONTE: G1.




 

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